29 responses to “Fundamentos da civilização”

  1. “Este é um lugar aberto ao debate e toda crítica sincera é bem-vinda.”

    Desculpa aí. Escrevi o texto mais massa, mas comecei a viajar e apaguei. Não foi por isso que eu pedi desculpas. Isso é crítico pra mim. A sinceridade é o covil dos poetas. Tem muita gente morrendo por lá.

    1. Haha, meu amigo… pedindo objetividade na poesia? Você é humano?

  2. É o primeiro anarquista que eu conheço que não tem consciência política. Ou se tem, põe ela em segundo plano. Qual é a posição política da SUA crítica à civilização? Até onde eu sei, pode ser até a favor do Holocausto, porque honestamente, eu não sei.

    1. Estou anônimo pra você julgar o conteúdo do meu texto e não a minha pessoa. É o que eu faço com você. Expressão política vai muito além do contato pessoal, está além do sorriso ou do abraço, ou do aperto de mão cordial, porém falso, que muitos políticos praticam naturalmente. Eu não te conheço pessoalmente. É muito fácil julgar positivamente o trabalho de alguém com carisma. Pra ser crítico de fato é preciso colocar esse tipo de coisa de lado. Se você não quer levar isso a sério, o problema é seu. Pero no es muy democratico.

    2. Acredite, colega. Não é por covardia. E o fato de você considerar uma crítica à teoria como ataques pessoais já me dá uma boa razão. Talvez eu tenha me exaltado ao te chamar de anarquista entre aspas, de fato foi uma provocação desnecessária, por isso pedi desculpas na mensagem seguinte.

    3. Não acredito que essa resposta é válida, por isso a minha crítica.

  3. A sua crítica pessoal não se resume à civilização. Aliás, essa crítica à civilização não é nem sua. Já vi você, várias vezes, usando essa crítica pra diminuir a relevância de movimentos sociais anticapitalistas, dizendo que são secundários por serem insuficientes, e isso sem sequer mencionar a questão partidária. Como uma ação política pode ser secundária à uma crítica conceitual? Esse foi o seu erro. Reconheça ou não ad libitum.

    Por outro lado, nunca vi ninguém usar movimentos sociais pra deslegitimar a crítica a civilização. Honestamente não consigo nem imaginar um argumento lógico pra fundamentar esse tipo de crítica. Novamente, como alguém que sequer tem poder sobre o modo de produção que garante sua subsistência consegue optar por um modo de vida diferente? “Vamos mudar o Brasil”!? Adubo pra fascista.

    “Nenhum? Ué, qual a esperança então?”

    A esperança é marginal, “anarquista”.

    1. Não é uma crítica leviana. Não é simplesmente a desmobilização que fomenta o fascismo. Ele também precisa de uma base conceitual, precisa de um inimigo pra se justificar. Se a sua crítica não tem fundamento político então pode ser usada por qualquer posição, inclusive a dos fascistas. Eles podem por exemplo justificar o desmantelamento de instituições públicas como forma de impedir o avanço da civilização. Podem atacar tribos indígenas com a justificativa de que eles estão muito civilizados. Enfim… pelo menos você fez um ensaio de reconhecimento de erro.

      Não entendo a semelhança entre escolher não ser machista, que é algo de que, se se tem ciência, está diretamente sob seu poder, e escolher viver de uma forma mais respeitosa com a natureza, que independente da consciência de todos os males provocados pela civilização, pra ser feita, ainda depende da articulação da conjuntura social que só pode ser feita através de movimentos políticos.

    2. O feminismo é essencialmente político. Quando você sugere que o feminismo pode ser neutro politicamente eu não sinto nenhuma vontade de continuar essa discussão porque demonstra absoluta ausência de consciência política. Política diz respeito a forma como uma sociedade se mobiliza. A caça as bruxas por exemplo, era uma forma de repressão política.

      Não é possível usar Marx para defender o fascismo, porque Marx trata de uma posição política antagônica ao fascismo. É possível usar o feminismo superficialmente em favor do capitalismo, mas não é possível fundamentar o capitalismo no feminismo, porque o feminismo trata de igualdade social. Por outro lado, é possível usar a crítica à civilização pra fundamentar o fascismo, porque essa não é uma crítica política, não diz respeito à forma como a sociedade se organiza politicamente. Pra associar essa crítica ao anarquismo é preciso que ela tenha fundamento político. Por exemplo, como, especificamente, a civilização mina a igualdade social do anarquismo? Como a sociedade deve se mobilizar pra desarticular essa desestruturação da igualdade promovida pela civilização? Isso é ter sentido político.

    3. Brother, para de tentar se colocar como parte dos “povos originários”. Não dá nem tesão de continuar lendo quando eu vejo uma merda dessas. Você é civilizado. A crítica à civilização mesmo dentro do seu malabarismo retórico é no máximo antropológica. Não tem como ela ser política sem um fundamento que discorra a civilização em nosso contexto social. Leia isso de novo, porque é importante: Não tem como ela ser política sem um fundamento que discorra a civilização em nosso contexto social. Os povos nativos TALVEZ tenham seus meios de lutar politicamente contra a civilização, mas não é através dessa crítica específica… E digo talvez porque eu não tenho conhecimento suficiente pra afirmar isso. Do nosso ponto de vista isso é uma questão antropológica, e muito complexa.
      Enfim, acho que eu estava correto quando disse que não ia conseguir continuar essa discussão. Eu parei de ler no “forçando a barra” e “Marx de verdade”. Boa sorte aí. Você é fera, e você é o seu pior inimigo.

    4. “Não tem o menor sentido dizer que meu argumento é “no máximo antropológico” e que não tem como ser político sem “discorrer a civilização no nosso contexto social”. Não tem como eu compreender o que você quer dizer com isso. O que está chamando de civilização e de contexto social? Pois, do meu ponto de vista, a civilização também é nosso contexto social.”

      Você precisa ressignificar tudo pra conseguir fazer sentido. Qual é o Marx de verdade e o qual é o de mentira? Isso é o que eu chamo de malabarismo retórico. Não tenho energia pra isso, colega. Não tenho esse tesão que você tem em questionar pontos e vírgulas. Sinto muito se eu te ofendo. Não vamos perder mais do nosso precioso tempo.

    5. Sou eu que preciso ressignificar tudo para conseguir fazer sentido, ou você que se nega a compreender meu ponto de vista? Sua crítica até agora partiu do pressuposto que “anticiv não é política” e não demonstrou isso. Seu critério para dizer o que é político ainda não foi explicitado. Seu argumento central foi que a anticiv não aponta para ações concretas e pode ser usada para defender posições fascistas. Eu respondi dizendo que o mesmo pode ser dito de basicamente qualquer crítica. As pessoas também podem usar Marx para defender ideias fascistas. O ponto não era sobre Marx. Era que você exige coisas da anticiv que seria absurdo exigir de outras perspectivas. Sua crítica é seletiva, você aplica um peso diferente quando fala de anticiv, e não justifica isso. Pois eu poderia igualmente dizer que é impossível criticar a civilização e não criticar o fascismo, que é uma forma de poder autoritária totalmente civilizada. Isso não significa que pessoas não possam distorcer uma perspectiva para que ela se encaixe num objetivo ideológico. Você afirmou o seguinte:

      “Já vi você, várias vezes, usando essa crítica pra diminuir a relevância de movimentos sociais anticapitalistas, dizendo que são secundários por serem insuficientes”. “Como uma ação política pode ser secundária à uma crítica conceitual?”. “Por outro lado, nunca vi ninguém usar movimentos sociais pra deslegitimar a crítica a civilização”. “Novamente, como alguém que sequer tem poder sobre o modo de produção que garante sua subsistência consegue optar por um modo de vida diferente? “Vamos mudar o Brasil”!? Adubo pra fascista”.

      Do ponto de vista da crítica à civilização, a crítica convencional ao capitalismo é necessariamente insuficiente ENQUANTO crítica à civilização, isso é lógico. Do mesmo modo que o feminismo em si é insuficiente enquanto crítica ao capitalismo ou a crítica ao capitalismo em si é insuficiente enquanto crítica ao patriarcado. Se você analisar cada perspectiva só pelo X que ela se foca em criticar, ela sempre será insuficiente para criticar o resto. Não quer dizer que não seja importante criticar X ou que Y é mais importante que X. Perguntar qual dessas críticas é a mais importante deixa de fazer sentido quando se entende que uma não existe sem a outra. Elas não estão competindo pelo mesmo terreno, elas coexistem.

      A crítica à civilização não diminui a relevância dos movimentos sociais anticapitalistas, e eu sempre afirmei a importância de se criticar o capitalismo. Eu nunca disse que seria mais importante fazer uma critica ao conceito de civilização do que conhecer a crítica marxista, por exemplo, mas sim que é importante não deixar de fazer essa crítica. E sim, a maioria das pessoas ignora essa crítica porque nossa cultura eurocentrada considerou a civilização como a conquista mais importante da humanidade, e nossos grande teóricos não questionaram isso, não tinham como questionar isso no século XIX.

      Minha crítica à civilização jamais esteve separada da luta anticapitalista. Justamente as pessoas que tem menos poder sobre o modo de produção (os indígenas que estão sendo mortos por ruralistas, por exemplo), são as que melhor compreendem a crítica à civilização. Você faz um espantalho que prega uma crítica inviável a um conceito abstrato para pessoas que estão ocupadas com a subsistência concreta. Chama de malabarismo retórico aquilo que não se encaixa na sua expectativa teórica. Mas ignora que a civilização é uma realidade concreta, não somente um conceito. A luta contra essa realidade concreta sempre existiu. Nós estamos construindo teorias com base nessas lutas do mesmo modo que marxistas fazem em relação ao capitalismo. Porém alguns marxistas ainda preferem depreciar do que dialogar. Percebemos que a anticiv é um alvo fácil para marxistas dogmáticos, que também gostam de atacar anarquistas, feministas, anti-racistas, LGBTs e defensores da libertação animal. Você não me ofende, mas sua crítica não oferece nenhuma perspectiva. Você prefere acusar outras perspectivas de serem meramente retóricas do que compreender os limites da sua própria retórica. É um desserviço a todos, mas um obstáculo que já nos acostumamos a lidar, e que todo mundo que pretende fazer uma crítica fora da perspectiva convencional precisa aprender a lidar.

  4. Aliás, me desculpe esse comentário e se quiser não precisa nem publicar, mas a sua crítica parece boiar por cima da realidade política, mudando com a maré. Me parece muito conveniente dizer sempre que no final das contas tudo se resume à civilização pra questionar movimentos políticos e não assumir nenhuma postura firme em relação ao status quo. Talvez você deva desculpas pra uma galera aí.

  5. “O mesmo poder que o trabalhador comum tem sobre o modo de produção civilizado.”

    Ou seja, nenhum.

    “Em nenhum momento se questiona o movimento dos trabalhadores sem terra e sua luta pela subsistência.”

    Em nenhum momento nesse texto talvez, mas já vi você questionar ferozmente, por isso a confusão. Pode não ser o suficiente, mas é pelo menos um ponto de partida, algo que a sua crítica não indica.

  6. Gostaria de saber que tipo de poder o cidadão comum tem sobre o modo de produção pra sequer considerar escolher sobre cooperar com outras formas de vida. Vindo de um cara que questiona movimentos como o dos Sem-Terra que tenta retomar o poder sobre a própria subsistência, fica ainda mais confuso. O foco do problema ambiental obviamente não é esse.

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