Discussão com Contragaia

Em 2016 eu discuti sobre especismo num blog chamado Contragaia. Este blog apresenta uma posição bastante peculiar em relação ao especismo, porque “busca desconstruir as doutrinas naturalistas e ecologistas”, que seriam “crenças folclóricas antropocêntricas, especistas e totalitárias”. Em outras palavras, o blog defende um intervencionismo anti-ambientalista que, entre outras coisas, defende a modificação genética de seres carnívoros para que eles se tornem herbívoros e assim se evite o sofrimento desnecessário de seres sencientes. Sim, é isso mesmo, parece absurdo e é sempre bom não julgar apressadamente, mas a construção de um ambiente artificial e seguro onde a predação e sofrimento possam ser minimizados e se possível eliminados é uma das posições que os autores do blog defendem explicitamente. A discussão começou num post que fazia uma crítica ao texto “O mito vegetariano: Alimentação, Justiça e Sustentabilidade”.

Uma das leituras recomendadas pelo autor do blog foi o texto “Sobre danos naturais”, que defende que não é possível aceitar a existência da predação na natureza e permanecer coerente com o veganismo antiespecista. Os argumentos são contraintuitivos, mas são bastante sérios e o texto é muito bem escrito.

O que eu pude concluir é que essa questão da predação aponta para uma limitação do próprio veganismo quando este se encontra separado de uma crítica à civilização. Os argumentos comuns do veganismo são extrapolações feitas a partir de critérios éticos que só fazem sentido na civilização, incluindo a consideração pelos interesses dos seres sencientes no sentido de uma busca pela diminuição de todo sofrimento. Estes critérios são por si sós idealizações que partem de uma visão exageradamente racionalizada da vida, e por isso acabam inevitavelmente chegando a um impasse em relação à própria natureza da vida. Isto fica claro no próprio fato de que o pensamento vegano pode ser coerente com o objetivo de acabar com a predação e outros danos naturais com base no que a civilização já faz em relação ao ser humano. Como negar que o veganismo antiespecista implica logicamente na tentativa de evitar os danos decorrentes de fenômenos naturais como a predação humana? Se estamos eticamente capacitados a intervir na predação feita por humanos, porque não intervir na predação feita por outros seres vivos, ou mesmo outros fenômenos da natureza como furações e vulcões? O ponto, porém, é que não podemos concordar com este veganismo intervencionista e com a crítica à civilização ao mesmo tempo. Partindo da crítica à civilização, os princípios centrais do veganismo deveriam ser radicalmente reconsiderados. Mas não cabe neste momento expor os motivos pelos quais acredito que a devemos criticar fundamentalmente a civilização, já o fiz em vários outros textos.

Então, nessa resposta, não vou me dedicar a responder ponto a ponto o que foi afirmado. Ao invés disso vou me focar numa questão que considero fundamental para toda essa discussão, e que precisa ser resolvida antes que todas as outras possam sequer fazer sentido. A questão é que nenhum suposto benefício trazido pela civilização é eticamente justificável, porque a civilização é em si mesma contrária à vida. A principal conclusão da crítica à civilização é que qualquer consideração ética deveria partir de uma rejeição fundamental à civilização e a tudo que é civilizado. Justificar o dano causado pela civilização como um preço a se pagar pelos benefícios do avanço civilizatório seria incoerente. A civilização se funda no controle totalitário, na alienação e na objetificação da vida, na escravidão, nas guerras de conquista e na domesticação. Todas essas coisas são absolutamente condenáveis, e são inerentes ao processo civilizatório.

Pelo que me parece, o único meio viável para evitar a predação seria usar a tecnologia civilizada. Contragaia argumenta que se essa tecnologia pode evitar sofrimento, então se livrar dela seria errado. Porém, se ela só pode ser criada e mantida sob as condições de um sofrimento incalculável, então não livrar-se dela é que seria errado. Quais são os argumentos a favor da engenharia genética hoje? Seus defensores consideram que podemos usar a tecnologia para o bem de outros seres e do meio ambiente, como de fato realizamos intervenções semelhantes para o bem do ser humano. Se essas tecnologias podem ser usadas para nos beneficiar, não há justificativa para não usar também em animais. O ponto é justamente que a crítica à civilização nos força a concluir que não apenas a engenharia genética, como o sistema tecnológico totalitário e domesticador como um todo é inerentemente prejudicial, seus benefícios relativos não ultrapassam seu malefício inerente. Porém, o dano resultante desses processos não pode ser adequadamente avaliado até que se leve em consideração alguns fatores sobre a origem e os fundamentos da civilização, que a maioria dos críticos hoje não discute de modo algum.

Em outras palavras, há um erro fundamental quando se diz que os danos naturais são tão prejudiciais quanto se tivessem origem em agentes morais. Isso só é relativamente verdadeiro. Em todo caso, o uso de um sistema tecnológico totalitário para minimizar tais sofrimentos é injustificável, tanto para beneficiar o homem quanto qualquer outro animal. Este uso da tecnologia é inerentemente domesticador, e a domesticação é um totalitarismo. Contragaia tenta justificar a domesticação dizendo que a dependência às vezes pode ser preferível ao sofrimento. Mas este tipo de dependência é insustentável e resulta sempre em dominação e alienação, ou seja, na perda de conexão com a realidade. Mas para entender isso precisaríamos discutir o conceito de realidade, natureza, alienação e poder.

A civilização não pode senão colapsar sob seu próprio sucesso e não pode continuar existindo senão buscando o aprimoramento do controle sobre a natureza. Contragaia afirma que, caso não pudéssemos prevenir a predação, “seria inaceitável manter, em larga escala, sistemas de prevenção e alerta de desastres e acidentes, atendimentos de emergência e prevenção e tratamento de doenças”. Isso pressupõe que a civilização seja aceitável desde que mantenha tais sistemas de intervenção em larga escala. Mas se a crítica à civilização está correta, a tecnologia totalitária como um todo é inaceitável. A vida humana em si não depende de um sistema tecnológico de controle totalitário da natureza. Apenas a civilização coloca as pessoas numa condição de dependerem de um sistema totalitário para sobreviver. Logo, negar-se a usar esse sistema para ajudar seres humanos sem desmontar primeiro as condições de possibilidade desse sistema seria o mesmo que negar ajuda a uma vítima de guerra porque a guerra é imoral.

Mas a questão retorna: se podemos ajudar seres humanos usando tecnologia civilizada, porque não podemos ajudar outros animais? Há alguma comparação entre curar uma doença genética de má formação, por exemplo, e modificar um ser geneticamente para livrá-lo da “doença” do carnivorismo? A questão obviamente exige uma discussão sobre os limites da intervenção médica.

A intervenção limitada pela proximidade relacional não é a única válida, a questão é se sequer faz sentido construir uma tecnologia totalitária, pois esta não pode ser justificada só por possibilitar essas intervenções. Você não pode justificar o industrialismo, por exemplo, com a ideia de que sem substâncias sintéticas criadas com química industrial muitas pessoas morreriam de doenças evitáveis. Não podemos confundir ausência de justificação ética de um desenvolvimento com necessidade ética de boicote imediato ou rejeição absoluta de tudo que provém desse desenvolvimento. A questão é que certos instrumentos tecnológicos não poderiam ser criados sem a objetificação e o controle da natureza, que são condições injustificáveis. Uma vez que já os criamos, podemos então mantê-los sem problemas éticos? Não. Uma vez que identificamos que a produção deles continua baseada nos mesmos processos de objetificação e controle, não faz sentido que continuemos mantendo esse tipo de tecnologia para sempre, mesmo que desconstruir tal indústria seja um projeto político, econômico, social e cultural de longo prazo, isso não o torna justificado e aceitável, apenas suportável enquanto não temos outra opção. E avançar para um grau de controle ainda maior certamente seria caminhar na direção contrária desse projeto político.

Uma das crenças básicas de Contragaia é que “os indivíduos precisam fazer o que é do seu interesse ou o que é bom para eles”. Sabemos que toda liberdade é limitada, não existe liberdade absoluta. A liberdade que podemos ter é limitada pelas condições da vida. Uma vez que as condições da vida e as condições da sociedade são completamente distintas, e até mesmo contraditórias, comparar isso com a teoria da “mão invisível” seria concordar com a naturalização da dominação civilizatória. O Mercado não é natural, nem o Estado, nem o Capital. São forças políticas. Nesse ponto está a confusão central sobre o conceito de natureza: confunde-se natureza com um estado de coisas, mutável e temporário, que pode ser melhorado com a aplicação de trabalho e racionalidade humana.

Contragaia tenta sustentar sua ideia de que o “estado de natureza” não é apenas amoral, é imoral. Por exemplo, nem todas as culturas condenaram o assassinato. Para ser moral é preciso, portanto, negar o estado de natureza e as culturas humanas que ainda estão vivendo nele. Essa é uma visão centrada no pensamento civilizador. É preciso perceber que a única fonte para valores morais é a história natural. Não temos acesso a um mundo supranatural de onde derivam valores morais. Logo, se existe um valor moral em condenar o assassinato em algum grau, isso não vem de fora do estado de natureza, não vem do Estado ou de um contrato social. Assim como um cientista não inventa algo a partir do nada, e sim da observação e da imitação da natureza, valores morais não podem surgir da cabeça dos teóricos. O que seria não aceitar a predação? É muito diferente de lamentar a morte de uma pessoa que foi atacada por um leão. Não aceitar a predação exige que se pense na predação em si como algo equivocado, e não como parte relativamente aceitável da vida. Que tipo de cultura proclamaria guerra contra a própria existência de raios, vulcões, terremotos e predadores? As culturas ancestrais compreendem esses fenômenos como parte da vida, não estão engajados em aniquilar essas coisas da realidade concreta, como se fossem a fonte de todos os males, mas em encontrar um modo seguro de conviver com eles. A competição nesse caso é limitada, ela não objetiva a eliminação do adversário. Só um ser alienado da natureza poderia condenar moralmente a base de sua existência.

A existência de predação não pode ser posta em julgamento sem que o processo que produziu condições para a existência de vida também não seja. Contragaia parte de um ponto de vista que considera o sofrimento como intrinsecamente condenável. De outro ponto de vista, o dano da predação é aceitável porque o sofrimento é aceitável como parte inerente da existência. Se o sofrimento for absolutamente condenável, a existência também é, uma vez que a única separação possível entre sofrimento e existência só se torna possível com o uso de uma hipotética tecnologia baseada num sistema que em si também é eticamente condenável.

Se dissermos que as capacidades humanas só são aceitáveis na medida em que permitem satisfazer preferências e ter experiências positivas em vez de frustração e sofrimento, estaremos incorrendo em reducionismo. Satisfazer preferências e ser feliz não exclui o significado do sofrimentos e da infelicidade para o desenvolvimento ontológico do ser. Uma vez que esse sentido não é transcendente, ele só pode ser baseado neste tipo de desenvolvimento orgânico. Se selecionamos características para adequá-las a preferências ideais, não será uma experiência autêntica. Buscar esse ideal como fim em si mesmo é afastar-se da realidade.

Minha impressão é que Contragaia polariza a questão quando considera que qualquer um que dê significado para o sofrimento está desprezando indivíduos pelo bem do todo, é isso que ele chama de projeto totalitário. É muito semelhante ao modo seletivo como liberais pensam sobre o totalitarismo do Estado e do coletivismo. Mas estar vivo é muito mais do que manter seu corpo funcionando e ter experiências satisfatórias, e totalitarismo é algo muito mais amplo que essa visão individualista.

Contragaia acusa seus oponentes de culto à natureza, quando ao mesmo tempo reproduz uma espécie de demonização da natureza. A natureza aparece como um inimigo, um obstáculo a ser vencido, algo que existe com o único propósito de nos prejudicar. Algo que é contrário à realização de o ideal mais coerente de ética humana, algo que trabalha contra os objetivos humanos.

Aliás, eu sou totalmente a favor de não cooperar com a colonização espacial. Sendo a colonização um erro resultante de uma mentalidade totalitária, eu seria partidária da descolonização, deste ou de qualquer outro planeta. Sendo a tecnologia de manipulação da vida um resultado necessário da colonização, a descolonização também implicaria num retorno a uma vida sem tecnologias totalitárias.

Estou convicto de que nada pode ser mais doloroso que afastar-se da própria vida, da experiência integral de estar vivo. Na civilização, nos encontramos alienados de nossas necessidades etológicas básicas, por isso vivemos em busca de substitutos. Este tipo de veganismo intervencionista que procura abolir toda e qualquer forma de sofrimento é um exemplo de idealismo purista, de tendência liberal. É uma reação comum à alienação e ao choque que o contato com a realidade provoca quando estamos cegos para ela. Ao perder a visão, uma pessoa pode odiar uma mesinha colocada no meio da sala porque ela parece estar ali com o único objetivo de ferir sua canela. Porém, ao recuperar a visão, a mesma pessoa talvez considere muito útil manter aquela mesinha ali. A impotência de uma pessoa alienada pela domesticação humana diante do choque com a aparente hostilidade da natureza pode fazê-la odiar a natureza e buscar compulsivamente um sistema de controle total que permita “limpar” seu ambiente de tudo que pode machucar, tudo que não condiz com seu elevado padrão ético, estético e econômico. Mas ao fazer isso, torna seu retorno à realidade ainda mais difícil.

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6 Comments

  1. Posted 30/10/2017 at 08:22 | Permalink

    Alexandre,

    “Se este pensamento diz ser contra o especismo, o totalitarismo antropocêntrico, como ele poderia partir para uma defesa da modificação da natureza e artificialização da evolução natural?”

    Porque ele parte da ideia de que nossa cultura romantiza ou idealiza a natureza, projetando uma suposta harmonia que nunca existiu, daí o nome, contra a teoria de Gaia, contra a ideia de uma natureza boa e generosa, uma força maternal que ama a todos. Basicamente ele enxerga a existência como um conflito entre duas forças: os seres bióticos e os seres abióticos. As “leis da natureza” estão em guerra contra a vida, e para defender a vida nós temos que combater essas leis, entende?As forças abióticas trazem morte e sofrimento, as bióticas trazem felicidade e liberdade. Então é totalmente justificável usar tecnologia, que é um produto da força biótica, para combater as leis da natureza que atrapalham os seres bióticos a viverem o máximo de felicidade possível.

    Sobre o tal mercado natural, você pode considerar isso uma crítica descuidada e uma radicalização absurda, mas os teóricos clássicos cometem um erro básico não muito diferente de contragaia. Contragaia naturaliza um modelo de natureza baseado num conflito ideológico. Você também naturaliza um modelo de natureza baseado numa relação ideológica. Reduzir as interações às leis de oferta e demanda é uma metafísica. Este economicismo da natureza é tão ruim quanto o dualismo maniqueísta do contragaia. Você defende uma ideologia liberal. Como contraponto, ofereço o seguinte artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69091998000300002

    Eu concordo que se trata de uma “disputa” entre conceitos diferentes de natureza. Mas eu discordo que minha argumentação possa ser descrita como “englobar todo tipo de controle e modificação da natureza como algo que parte da civilização”. A questão sobre “até que ponto” é muito importante e complexa, mas certamente não estou excluindo toda forma de modificação e interação (e a palavra controle ou intervenção pode ter uma significado semelhante dependendo da sua interpretação). Onde é que se traça a linha? Com certeza a natureza se modifica a si mesma, mas como podemos saber até onde nossa ação faz parte dessa modificação “natural”. A questão nos leva à distinção entre natural e artificial, humano e civilizado, uso e abuso, interação e violência. Existe uma distinção entre modificação da natureza por ação humana e domesticação civilizatória. Em nenhum lugar eu proponho “total não intervenção” (intervenção enquanto sinônimo de interação que implica em modificação) porque isso é impossível. A questão é onde e como traçar a diferença, onde começa a civilização.

    Sobre os danos naturais, o autor argumenta que se podemos intervir na ação humana para impedir uma catástrofe ambiental, um genocídio por exemplo, também devemos intervir nos processos naturais que geram mortes, porque não interessa o agente, o que importa é o dano, o prejuízo à vida. Minha argumentação é que o dano natural não é tão prejudicial quanto a ação humana porque a ação humana não atenta somente contra a mera existência, ela não simplesmente mata animais. O dano vindo da domesticação, que impede animais de viverem em seu habitat natural e “serem eles mesmos” pode ser considerado pior que a morte. Além disso, o dano natural é temporário, ele é uma erupção de forças que foram contidas por um processo, e que se liberam de forma violenta, e esse processo é de todo modo impossível de conter (a vida encontra um jeito). Mas o dano da civilização é continuado, exponencial, calculado e tem potencial de destruir não apenas vidas no sentido quantitativo, mas a vida do planeta no sentido qualitativo. Por isso eu disse que a frase dele seria relativamente verdadeira. Em relação a um critério meramente quantitativo, uma catástrofe natural pode ser comparável à devastação industrializada. Mas em relação ao tipo de dano é incomparável.

  2. Alexandre
    Posted 28/10/2017 at 20:54 | Permalink

    A tese do contragaia, que adimito nem ter lido, parte de um pensamento tão absurdo e alienado que impossibilita uma clara refutação. Se este pensamento diz ser contra o especismo, o totalitarismo antropocêntrico, como ele poderia partir para uma defesa da modificação da natureza e artificialização da evolução natural? Mas o pensamento anticivilização descuidado também não nos previne de uma radicalização absurda. O “Mercado” civilizado pode não ser natural, mas há um mercado natural que funciona com as mesmas bases (ainda que as bases atuais estejam bem distantes), basta substituir a moeda pela quilocaloria e os países pelos nichos e você veria um sistema muito similar ao mercado idílico dos Teóricos Clássicos. Oferta e demanda de nutrientes, crescimento populacional exponencial, estagnações, choques, etc. Desse modo quero dizer que o homem não inventou o mercado nem sequer o capitalismo, eles estão na natureza, o que fizemos foi criar um sistema político que invertesse valores e corrompesse a geração do valor. Nesse ponto que contribuo para discussão, ambas correntes de pensamentos vão nos levar a uma interpretação errônea da natureza. Não vejo pensamento liberal nenhum na argumentação contragaia, a idéia central ao meu ver está na idéia de que se um tipo de controle pode beneficiar algum “local”, então ele deve ser forçado, e definido como direção para que seja adotado por todos. Como tribos que poderiam se beneficiar de um sistema produtivo, mas mesmo não tendo interesse em maior produção uma intervenção verticalizada é necessária e ética para que eles obtenham maior bem-estar, e eventualmente não sofram de alguma escassez. Por outro lado a sua argumentação contraciv quer englobar todo tipo de controle e modificação da natureza como algo que parte da civilização, e não é. Há uma modificação da natureza pela própria natureza, e por esse ponto central é que não deveriamos estar intervindo nela como esse pensamento contragaia propõe. As plantas definiram como os animais são hoje e os animais definiram quais espécies de plantas estão hoje, e os homo sapiens não civilizados selecionaram, como fizeram diversas outras espécies, seus alimentos de maneira tão dramática que modificaram suas condições organolépticas, nutricionais e biomas.
    De qualquer forma tirando esse ponto do mercado político e da total não intervenção da natureza como caminho anticivilização eu concordo com toda argumentação, este blog é um serviço ao anticiv brasileiro e por isso sou grato.

    Se pudesse gostaria que você comentasse uma frase que apesar de concordar não saberia defendê-la, e no texto também não há uma prova de sua veracidade: “há um erro fundamental quando se diz que os danos naturais são tão prejudiciais quanto se tivessem origem em agentes morais.”

  3. Posted 18/10/2017 at 08:01 | Permalink

    Obrigado pelos comentários. Concordo, são basicamente essas as duas posições que rejeitam a crítica à civilização: os que confiam no reformismo e os negacionistas. Tem um mapa político que talvez seja útil para visualizar isso, que eu pretendo postar no site em breve. Fique à vontade para comentar sempre.

  4. Ed
    Posted 17/10/2017 at 22:41 | Permalink

    Eu estou há pouco tempo observando as críticas anticiv, no entanto, eu já venho de uma linha de pensamento crítica ao modo de produção vigente, o que me põe numa situação mais favorável de compreender os argumentos anticiv, que por sinal, acho difícil de refutar por conta de tudo que vem acontecendo na sociedade. Só que muitos confiam numa capacidade reformista eterna ou (ainda mais grave) estão amarrados num conservadorismo negacionista dos problemas socioeconômicos e ambientais

    Então, na real, acho que vc fez o correto numa discussão. Ridicuralizar o adversário só o deixaria irritado e que, além disso, poderia fazê-lo ignorar a crítica recebida. Mas para quem está de fora, fica difícil manter a seriedade nesse tipo de coisa. rs.

  5. Posted 17/10/2017 at 08:03 | Permalink

    Mais ou menos. Eu tentei mostrar o argumento do modo mais sério possível porque há pessoas que levam isso muito à sério. E eu sei como é não ser levado à sério e ser julgado por uma redução absurda da sua tese, então tentei não fazer isso e responder do modo mais sério possível.

  6. Ed
    Posted 16/10/2017 at 19:21 | Permalink

    Já que o veganismo não se adequa a realidade civilizacional, vamos alterar geneticamente todos os seres hahaha.
    Mas que porra é essa?! Nunca imaginaria que o moralismo vegano fosse tão perturbado a ponto disso.
    Foi a saída absurda que o sujeito encontrou para refutar o livro do mito vegetariano?