6 responses to “Discussão com Contragaia”

  1. A tese do contragaia, que adimito nem ter lido, parte de um pensamento tão absurdo e alienado que impossibilita uma clara refutação. Se este pensamento diz ser contra o especismo, o totalitarismo antropocêntrico, como ele poderia partir para uma defesa da modificação da natureza e artificialização da evolução natural? Mas o pensamento anticivilização descuidado também não nos previne de uma radicalização absurda. O “Mercado” civilizado pode não ser natural, mas há um mercado natural que funciona com as mesmas bases (ainda que as bases atuais estejam bem distantes), basta substituir a moeda pela quilocaloria e os países pelos nichos e você veria um sistema muito similar ao mercado idílico dos Teóricos Clássicos. Oferta e demanda de nutrientes, crescimento populacional exponencial, estagnações, choques, etc. Desse modo quero dizer que o homem não inventou o mercado nem sequer o capitalismo, eles estão na natureza, o que fizemos foi criar um sistema político que invertesse valores e corrompesse a geração do valor. Nesse ponto que contribuo para discussão, ambas correntes de pensamentos vão nos levar a uma interpretação errônea da natureza. Não vejo pensamento liberal nenhum na argumentação contragaia, a idéia central ao meu ver está na idéia de que se um tipo de controle pode beneficiar algum “local”, então ele deve ser forçado, e definido como direção para que seja adotado por todos. Como tribos que poderiam se beneficiar de um sistema produtivo, mas mesmo não tendo interesse em maior produção uma intervenção verticalizada é necessária e ética para que eles obtenham maior bem-estar, e eventualmente não sofram de alguma escassez. Por outro lado a sua argumentação contraciv quer englobar todo tipo de controle e modificação da natureza como algo que parte da civilização, e não é. Há uma modificação da natureza pela própria natureza, e por esse ponto central é que não deveriamos estar intervindo nela como esse pensamento contragaia propõe. As plantas definiram como os animais são hoje e os animais definiram quais espécies de plantas estão hoje, e os homo sapiens não civilizados selecionaram, como fizeram diversas outras espécies, seus alimentos de maneira tão dramática que modificaram suas condições organolépticas, nutricionais e biomas.
    De qualquer forma tirando esse ponto do mercado político e da total não intervenção da natureza como caminho anticivilização eu concordo com toda argumentação, este blog é um serviço ao anticiv brasileiro e por isso sou grato.

    Se pudesse gostaria que você comentasse uma frase que apesar de concordar não saberia defendê-la, e no texto também não há uma prova de sua veracidade: “há um erro fundamental quando se diz que os danos naturais são tão prejudiciais quanto se tivessem origem em agentes morais.”

  2. Eu estou há pouco tempo observando as críticas anticiv, no entanto, eu já venho de uma linha de pensamento crítica ao modo de produção vigente, o que me põe numa situação mais favorável de compreender os argumentos anticiv, que por sinal, acho difícil de refutar por conta de tudo que vem acontecendo na sociedade. Só que muitos confiam numa capacidade reformista eterna ou (ainda mais grave) estão amarrados num conservadorismo negacionista dos problemas socioeconômicos e ambientais

    Então, na real, acho que vc fez o correto numa discussão. Ridicuralizar o adversário só o deixaria irritado e que, além disso, poderia fazê-lo ignorar a crítica recebida. Mas para quem está de fora, fica difícil manter a seriedade nesse tipo de coisa. rs.

  3. Já que o veganismo não se adequa a realidade civilizacional, vamos alterar geneticamente todos os seres hahaha.
    Mas que porra é essa?! Nunca imaginaria que o moralismo vegano fosse tão perturbado a ponto disso.
    Foi a saída absurda que o sujeito encontrou para refutar o livro do mito vegetariano?

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